06/02/2017

Comandante do Batalhão


Uma matéria muito interessante sobre o comandante do 2ºBPE de 1994, Alvarim Pires do Couto Filho.



Artigo de Derek Destito Vertino

02/06/2016

Colecionador de taxímetros


Nosso amigo SD Longo mais uma vez é destaque quando o assunto é taxímetro!

A matéria é do programa Repórter Universitário da Band News.





15/09/2015

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Hoje recebemos a notícia de que mais um combatente faleceu, o SD Misiti, nessa segunda-feira 14/09/15, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

Fique em paz, combatente, e nossos sentimentos à sua família.






03/09/2015

Formatura de 1ª Baixa - 2º BPE 1994




Formatura de devolução do braçal dos soldados do 2ºBPE, que saíram na 1ª Baixa, dia 31/11/1994.

A canção entoada pelos soldados é a Canção do Exército, umas das várias que tínhamos que saber de cor.  

Vídeo publicado no canal do YouTube do ex-combatente Hilton Muccillo, que fez parte dessa formatura.






19/06/2015

Batalha Naval do Riachuelo



O SD Moraes Gomes, hoje historiador, comenta no REDETV News sobre a Batalha Naval do Riachuelo (Guerra do Paraguay), que completa 150 anos.




O vídeo também pode ser visto no site do REDETV News, clicando aqui.

Programa foi exibido no dia 11/06/2015.

21/02/2015

Esquina Digital


Muita gente fala que a Internet está distanciando as pessoas, que as relações tornaram-se frias com o advento da era digital e coisas do gênero, o que discordo completamente. Se a pessoa não quer te ver, ela não quer te ver e ponto final. Fazer contato hoje é muito fácil, quem não quer fazer é porque não está afim mesmo. Não é a internet que provoca esse distanciamento. Na verdade não sei o que seria da amizade sem as redes digitais, que se proliferam cada vez mais. Parece contraditória minha opinião com o consenso geral sobre internet, mas você que está lendo esse texto, logo vai entender onde quero chegar e o porquê da minha posição.

Minha infância foi igual à de qualquer criança de periferia (na década de 1980), foi brincada na rua, com um monte de outras, que faziam parte da mesma vizinhança ou do colégio. A amizade era formada a partir de um território geográfico habitado em comum. Acabava a aula, íamos para nossas casas guardar o material escolar e correr para a rua, todo dia era assim até o fim do dia.

A adolescência (ou pré) deu as caras e ao invés de nos juntarmos para brincar, ficávamos na esquina dessa mesma rua que nos serviu de playground, conversando sobre tudo quanto é coisa que nosso pouco conhecimento permitia e nossa limitação territorial alcançava. E outras turmas de jovens se formavam em outras esquinas e assim por diante. Existia até certa rivalidade entre alguns grupos, o que acredito ser normal para a idade. Juventude sem rebeldia não é juventude.

Com a idade avançando, a responsabilidade chega junto: aos quatorze anos saíamos para procurar emprego (a lei ainda não proibia), o que alterou totalmente nossa rotina de amizade: passávamos a nos encontrar só anoite no colégio e a esquina ficava para os finais de semana. Quando nos reuníamos, cada um contava sua nova experiência, sua expectativa e sobre as novas amizades. Durante um bom tempo a esquina foi nosso ponto de encontro, nossa sala de bate papo.

E o tempo passou, entramos em faculdade, outro emprego, cursos extras e nesse entra e saí de instituições, novas amizades são feitas, porém sem tanta substância, pois o único ponto de união entre as pessoas é a instituição. E o desligamento de determinada instituição, implicava também em deixar para trás muitos colegas. Adicionar em rede social, isso ainda nem imaginávamos que pudesse um dia existir.

Uma das instituições por qual passei e formei muitos amigos foi o Exército. Como todo jovem a beira dos dezoito anos, eu não queria servir à pátria, mas... Serviço Militar Obrigatório, isso já explica o meu ingresso na vida militar. Foram exatos um ano um mês e dez dias de vida de soldado, nem preciso falar que muita coisa aconteceu e que conheci muita gente. Éramos cento e vinte na mesma companhia, havia quatro companhias diferentes, fazendo uma conta rápida, foram quase quinhentos jovens que ingressaram juntos, somados os que já estavam lá, que optaram por aquela vida... Aquela vida.

As baixas do exército são concedidas em três momentos diferentes: a primeira com oito meses de incorporação, a segunda com onze, a terceira e última com um pouco mais de doze, que foi a minha. Fiquei até o último dia, até o fim. Fui o chamado NB - Núcleo Base - (lembra daquela música do Ira!?). Lembro-me desse dia até hoje, um dos mais felizes da minha vida, sem dúvida.

Com o fim do serviço militar obrigatório, a maioria das amizades ganhou distância, outras até foram esquecidas. Nessa época (1995), Internet era coisa de mega-nerd que tinha acesso a computador. E ser mega-nerd não era pra qualquer um. O PC também era algo distante, de difícil acesso. Lembro que trabalhei numa empresa que só tinha um no departamento e só uma pessoa é que sabia mexer nele. Não era como hoje, que o PC virou um eletrodoméstico vendido em qualquer magazine, com prazos de pagamento a sumir de vista. A produção em larga escala e a neoescravidão dos trabalhadores em países asiáticos, barateou o PC e possibilitou seu acesso para quase todo mundo do mundo todo. Nesse contexto de proliferação tecnológica é que as redes sociais entram em campo e ganham grandes dimensões, adeptos e reformulou nossas relações interpessoais.

Como todo brasileiro que teve acesso à internet em meados dos anos 2000, ingressei no Orkut, rede social que virou febre e que recuperou muita coisa relativa à amizade, acredito eu. Era (e é) muito fácil: é só lembrar-se do nome da pessoa a ser encontrada e, caso ela também faça parte da rede, você irá encontra-la. E foi o que aconteceu. Confesso que no começo achava essas redes uma perda de tempo, uma bobagem total. Com certeza eu não havia entendido o poder de integração entre as pessoas que essas redes proporcionam. Em pouco tempo eu havia encontrado muita gente que fazia muito tempo que eu não tinha nenhum tipo de contato nem notícia. O pessoal que estudou comigo no colégio, gente de empresas que trabalhei, o pessoal do quartel... E através de um você chega a outro e a outro e a outro... De repente tanta gente que eu nem lembrava que existia mais, ressurgiu. A maioria do pessoal do quartel eu não via a pelo menos uns quinze anos. É muito tempo e gente para guardar só na memória.

Nesse reencontro digital, formamos uma comunidade no Orkut (Sim, servi a PE em 94) e começamos a nos falar. No começo juntamos vinte e cinco pessoas. Começamos a tentar localizar quem não estava no grupo, a trocar ideias, fotos e fatos esquecidos. O Orkut caiu de moda e entrou o Facebook em seu lugar. Todos migraram para a nova rede que crescia no país e começamos a encontrar mais e mais gente, no Brasil e fora dele.

No dia da última baixa, um parente de alguém levou uma câmera filmadora VHS, máquina e fita enormes, parecida com aquelas que as redes de televisão utilizam. Eis que transformaram a filmagem de VHS em arquivo AVI e isso foi distribuído entre nós. Foi emocionante rever esse dia, a formatura completa de desincorporação. Toda vez que vejo esse vídeo fico feliz novamente. Depois de convertido o vídeo em arquivo, ir parar no YouTube foi um pulo. A lembrança “upada” na rede, agora pode ser acessada e assistida por qualquer um a qualquer momento.

O novo grupo no Facebook recrutou mais gente e só faltava agora nos encontrarmos. Foi o que aconteceu: marcamos num sábado, num bar em que um do grupo trabalhava e em determinada tarde estávamos lá, dezesseis anos depois da baixa. Vou dizer algo totalmente clichê, mas foi como se um filme passasse na minha cabeça. As lembranças tomaram conta da tarde, do ambiente e muita coisa que estava esquecida veio à tona. Um lembrava de uma história e outro de outra, ficamos sabendo o que um faz hoje, o que fez, quem casou, quem não engordou, quem ficou careca, quem sumiu do mapa, quem morreu.

Esses encontros se multiplicaram e em cada novo encontro surge alguém novo e novas conversas. Foram tantas as histórias, as lembranças, que viraram um blog (este mesmo), onde qualquer um pode escrever e colaborar com a memória coletiva.

Neste ano de dois mil e quatorze faremos vinte anos de incorporação no 2º Batalhão de Polícia do Exército e vamos celebrar o acontecimento! Tenho certeza que se não fossem as redes sociais, nenhum desses reencontros teriam acontecido. Seriamos uma lembrança que seria acessada somente por poucas fotos, que passariam boa parte do tempo guardadas em alguma gaveta por aí.

Hoje qualquer novidade pode ser contada via rede e todos do grupo ficam sabendo. Os laços foram reatados, as pessoas reencontradas e essa nova esquina, esse novo ponto de encontro e troca de ideias, com toda certeza, vai prolongar muitas amizades por muito tempo.


SD Braga




www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=4607793
www.youtube.com/watch?v=2Rf7aZhksDM
www.facebook.com/groups/207870625912885/

14/11/2014

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Ontem 13/11/14 nosso grande amigo de farda e afins, SD Façanha, faleceu em decorrência de um ataque cardíaco.


Todos os nossos sentimentos à sua família.


Fique em paz combatente. Até a próxima.



Cajamar/SP 1994 

Abílio Soares/SP 11/2013
SDs: Augusto, Mereu, Leandro, Campos, Braga e Façanha.


Seus textos para este blog:

17/09/2014

Mais um mocorongo!



Mais um mocorongo apareceu!

Sd Leonardo, vulgo Sapão.

Ele fez um transplante de rim e se recupera em Joinville.


carteira de "monstrorista"


Vídeo feito por ele






18/05/2014

O mundo é pequeno

  
  Quando você dá baixa do serviço militar, de uma coisa você pode ter certeza: vai sempre encontrar algum ex-combatente em lugares que você menos espera.

  Estava eu zapeando a TV, quando de repente me deparo com o, inconfundível, Sd Longo!




  Ele aparece na primeira matéria do programa Taxi Melhor (n° 35), veiculado pelo canal TV Aberta (canal 9, NET).

  O mundo é pequeno demais...





  O programa completo pode ser visto clicando aqui.


Sd Braga

22/01/2013

Só quem serviu é que sabe



Pode ser bebedeira, ou somente masoquismo mesmo, mas a saudade daquele quartel onde comemos o pão que o diabo amassou bate de uma forma abrupta, sem avisar, parece a saudade que tenho de minhas tias que morreram, ou pior, a saudade que tenho dos meus filhos quando estão longe de mim...Porém minhas tias e meus filhos só me deram, e dão, felicidade e amor , enquanto aquele local causou sofrimento bruto e puro, o que será isso? Um truque da memória ou o descobrir da verdade: o mundo aqui fora é muito mais mentiroso e terrível do que aquele contido entre muros na Rua Abílio Soares. 

Casei-me novamente em 2012, a vida continua apesar de todos os pedaços que deixamos pelo caminho. Dia 30 estarei me mudando para a Rua Abílio Soares. Estarei voltando para perto da casa que nunca me deixou e que nunca me deixará...

SD Façanha 


Algumas horas antes de embarcar para Cajamar (2º acampamento)

25/08/2012

Dia do Soldado


A todos os cães que serviram, servem e servirão à pátria amada Brasil, de forma obrigatória ou não, parabéns!


Cajamar - SP 


Canção do Exército (ou Canção do Soldado)



Nós somos da Pátria a guarda,
Fiéis soldados,
Por ela amados.
Nas cores de nossa farda
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.

Em nosso valor se encerra
Toda a esperança
Que um povo alcança.
Quando altiva for a Terra
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.
A paz queremos com fervor,
A guerra só nos causa dor.
Porém, se a Pátria amada
For um dia ultrajada
Lutaremos sem temor.

Como é sublime
Saber amar,
Com a alma adorar
A terra onde se nasce!
Amor febril
Pelo Brasil
No coração
Nosso que passe.

E quando a nação querida,
Frente ao inimigo,
Correr perigo,
Se dermos por ela a vida
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.
Assim ao Brasil faremos
Oferta igual
De amor filial.
E a ti, Pátria, salvaremos!
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.

A paz queremos com fervor,
A guerra só nos causa dor.
Porém, se a Pátria amada
For um dia ultrajada
Lutaremos sem temor.

25/07/2012

Puxa-hora CÃO!



Sargentiação da CCSv
Quando tinha 18 anos, e sabia bem menos do que hoje, quando assistia aquelas propagandas das forças armadas, veiculas sempre no primeiro quadrimestre de cada ano, salientando a importância do alistamento, pensava comigo: “pode ser uma merda, mas tenho a impressão que, ricos e pobres, todos os soldados ficam numa mesma posição lá nas forças armadas”. Pensei, no alto da minha inexperiência, que o exército, principalmente, equalizava as diferenças sociais, já que, pensava: “todos comeriam a mesma gororoba, tirariam o mesmo serviço, dormiriam nos mesmos lugares”. Ainda que não querendo servir, na minha lógica de “moral de prejuízo”, raciocinava que de todo o caos, e contratempos resultantes do “chamamento do exército”, poderia ver essas diferenças sociais enfraquecidas pela dinâmica da caserna e da vida militar. Se servir, possivelmente, interpretava, viveria essa experiência única.

Estúpido engano! Numa sociedade retrógrada, conservadora e mesquinha como a nossa, isso não seria viável, e até, certo ponto, contraditório, e vou tentar me explicar: quando chegamos ao quartel, em fevereiro de 1994, nova triagem foi feita, mas a base de testes. Um exemplo: se você já dirigisse, poderia fazer um teste de direção, e se tornar motorista (lembro-me de um colega que disse que dirigia, mas quase nos atropelou e quase derrubou o muro do quartel). Se você soubesse datilografar, faria um teste nas maravilhosas e bem manutenidas máquinas do quartel, se soubesse de informática, poderia trabalhar com os poucos computadores que existiam no quartel, se você soubesse quebrar uma parede, montar e desmontar um encanamento ou telhado, poderia trabalhar no PO (Pelotão de Obras)...

Aliás, existia até mesmo uma hierarquia de prestígio e importância até dentro dos que tinham funções. Uma coisa era ser do PIC (Pelotão de Investigações Criminais), ou era ser do PO... mas, enfim, continuemos...

É lógico que fiz todos os testes que estariam ao meu alcance. Inclusive de “cachorreiro”, isto é, de adestrador “meia-boca” dos “bravos cães de guerra da PE”, inclusive com direito a comer a ração cozida dos cachorros, que nos foi servida no momento do teste. Como só sabia o nome da raça de três ou quatro, fui rejeitado pelo tenente R2 responsável pela seleção.

Como não sabia dirigir (como até hoje não sei), fiz o teste de datilógrafo. Confesso que sou rápido no negócio, e dou centenas de toques por minuto, se necessário, mas, se necessário...

Passei no teste de datilógrafo, e quando estava na companhia, ainda paisano (não tinha recebido o tal enxoval), também fui atentado com outro chamamento. Um tenente com uma cara estranha procurava “combatentes que lutassem artes marciais e que falassem línguas estrangeiras”. Fiz judô na infância, mas nada além de uma faixa que ia além da branca, que nem me lembrava mais da cor. Até pensei: “olha aí, uma nova oportunidade de ter alguma função nessa merda toda”. Só sei que fiquei intimidado com a cara do tal tenente, e imaginei os testes que seriam feitos com esse pessoal. Então, declinei das propostas, inclusive porque não sei bater em ninguém, não desejo bater em ninguém, e mal domino o idioma nativo... mas um grupo de colegas, da mesma companhia, foi fazer o teste, que nem imagino do que se tratou... mas que sei que originou dois pelotões da nossa companhia.

FAL, Beretta e Pistola 9mm
Pois bem, se você tivesse alguma função no quartel, os seus dias de faxina seriam bem reduzidos. Isto é, você só faria uma faxina quando estivesse de serviço, ou no dia da punição, seja no pernoite, ou mesmo as punições coletivas, de pelotão, companhia ou batalhão, quando alguém “cagava no pau”, e todos ficavam “detidos”. Fora isso, você quase não fazia faxina, mas alguém fazia o “trabalho sujo”... pois é, aí vem uma outra faceta da nossa sociedade, da qual as forças armadas, sobretudo porque emanam dessa mesma sociedade, não escapam.

Quem “não sabia fazer nada”, isto é, não tinha uma função, ficava, implicitamente, numa hierarquia menor, isto é, algo mais oculto, mas, contraditoriamente mais explícito socialmente falando, ficava “puxando-hora” armado, e fazendo faxina. Garanto que são dois serviços dos mais horríveis que se pode ter num quartel, em tempo de paz...

Aquele batalhão em que servíamos era constituído por quatro companhias. A Primeira, a Segunda, a Escolta e Guarda, e a nossa, a CCSv. As três primeiras eram constituídas, em sua maioria, por colegas que não tinham uma função definida, de atividades corriqueiras, quero dizer: para o exército, nossos camaradas não possuíam instrução suficiente, ou não dominavam conhecimentos que garantiriam a sua permanência em funções administrativas ou especiais. Portanto, eram condenados a “puxar-hora” (na guarita), e fazer faxina, já que quem dominava o exercício de alguma função, de algum recurso, tinha uma vida um pouco mais suave, e completamente suave se compararmos com a vida dos nossos colegas “puxadores-de-hora”.

O negócio era tão brutal, e explícito, que a nossa companhia, a Companhia de Comando e Serviço, cujos os membros estavam “todos à destino”, isto é, tinham alguma função na própria companhia, ou mesmo no batalhão, possuía as iniciais CCSv, porém, nossos camaradas, revoltados com a situação (com um óbvio e legítimo rancor), ironicamente a chamavam de Casa, Comida e Sossego, ou Casa, Comida, Sossego e Vadiagem. É bom salientar que isso já vinha de outras incorporações, e de outras unidades, e que herdamos essa alcunha um tanto quanto explicitadora da situação social, bizarra, nossa, e de nossos camaradas. O exército jamais equalizou, ele só reafirmou e reafirma essa separação... sendo que “servir” não é um ato de cidadania, como querem fazer-nos acreditar, mas apenas de manutenção do status quo reinante absoluto, e a manutenção do emprego de muita gente, sobretudo oficiais ou os tais “profissionais”.
PMT

Quando você chegava ao quartel, e conhecendo a sociedade em que vive, percebia-se também essa distinção lá. Não é a toa que a turma corria (eu também corri!) para fazer os tais testes, e nisso fica claro o exemplo do colega que quase atropelou uma companhia em forma, e que quase derrubou um muro com o caminhão de choque, na hora de seu teste de direção, e de um outro colega, pobre, e voluntário que, passando necessidades em São Paulo, afirmou que fazia manutenção de determinadas máquinas, mas que, por falta de gente que exercesse a função, acabou por preenche-la, ainda  que, durante aquele ano, não tenha conseguido fazer a manutenção de uma máquina sequer. No entanto, precisa sobreviver...

Aos demais camaradas das outras companhias, exceto o pessoal constituinte da Seção de Comando de cada uma delas, só sobrava o serviço de guarda ao quartel, que era um serviço pesado, e estressante, e as faxinas promovidas diariamente nas proximidades das companhias, serviço também chato, pesado e estressante, normalmente porque era “orientado” e monitorado por um superior sádico e tão revoltado quanto os que eram obrigados a exercer as atividades.

Quem ficava na guarita, em duas escalas horríveis e puxadas, a preta e a vermelha, o serviço era duplamente ruim. Primeiro porque você “tirava” o serviço armado, e arma decididamente não é algo bom de carregar (isso é uma exceção para maníacos, policiais e bandidos), e é pior quando você tem que carrega-la por 24 horas (agravado se for um fuzil, de quase cinco quilos municiado, ou uma submetralhadora, também municiada, que mais parece uma lanterna rayovac, e que também é pesada e desconfortável de se carregar).

Enfim, nossos camaradas saiam da hora, e ainda eram responsáveis pela faxina do aquartelamento. Isto é, quando não estavam “puxando-hora” nas guaritas, estavam “faxinando” o batalhão, carregando ou descarregando um caminhão, fazendo patrulhas idiotas, portanto correndo atrás de outros recrutas, de outras unidades, que estavam com cartão de cabelo vencido, cinto de metal sujo, farda amassada, coturno sem engraxar, sem usar o papo regulamentar, ou mesmo frequentando um puteiro próximo às estações de trem, e assim vai... resumindo: correndo atrás de gente como eles que, na folga, queria sair um pouco daquele ambiente estúpido e quase cerimonioso.

Pessoal do PIC
Um parênteses. Quem tinha função, isto é, era dessa “nata” de gente que exercia alguma atividade “mais nobre”, e tinha que tirar serviço armado, tinha a facilidade de ficar 24 horas armado com uma pistola Beretta, 9mm, que, se comparada ao FAL (Fuzil Automático “Leve”), e à submetralhadora, é um “galho fraco” de se carregar... e para haver mais distinção, e mais conforto, vários de nossos colegas de companhia compravam um tal de “robocop”, um coldre modernoso, visualmente agressivo que salientava ainda mais essa distinção. Me lembro de um cabo da companhia que adorava fazer observações técnicas, ainda que sem embasamento, e que dizia que o tal coldre modernoso era de Israel... o que dava mais ar de “nobreza”, e “operacionalidade” ao acessório militar... pra não falar das algemas que muitos também compravam, na intenção de “imobilizar” o prisioneiro (qual? O Zequinha maconheiro do esquadrão?!), e parecer-se com um policial, o que trazia mais ainda desvirtuamento para uma unidade que, malgrado tudo, era do exército, e de polícia, mas polícia do exército, e não a Rota... Graças a Deus!

Essa distinção também era explícita no trato com superiores, sejam praças ou oficiais. Muitos de nossos colegas recebiam um tratamento diferenciado porque eram constituintes de uma classe média paulista, paulistana, até mesmo branca, eram “boa praça”, gente “recomendável” e tal. Não duvido que muitos desses nossos colegas, que vivemos tão próximos durante um pouco mais de um ano, eram da companhia, eram e são gente até muito boa, com caráter e com dignidade, mas era realmente um tratamento diferenciado, franco e explícito, ainda que, teoricamente, estávamos num exército que afirmava, e ainda afirma que equalizava os desmazelos da sociedade, dando chances para que todos os sorteados, em sorteio militar, pudessem exercer a cidadania ativa no serviço militar obrigatório. Diferente, sobretudo de nossos camaradas que, muitas vezes, e isso eu vi de perto, eram tratados como peões, brutos, estúpidos, “recrutas do inferno”, “arrombados”, entre outras alcunhas desabonadoras e explicitadoras do apartheid social que vivemos até hoje...

Vista do P5
Guarita que ficava sobre a cantina.
Também me recordo de um simpático soldado EV de uma outra companhia que era rico, ou pelo menos tinha a fama. Sempre ia bem acompanhado à cantina do inesquecível Sub-Novaes, nosso “pai espiritual e culinário”. Às vezes vinha com uma moto que, acredito, era bem cara. Daquelas que eram usadas em corrida, e a gente só encontrava em exposição, ou roncando pelas avenidas de São Paulo. Era só o nosso colega busca-la no estacionamento, e aparecia até oficial “babando no ovo dele”! Sabe como é, né? Gente branca, legal, bem motorizada, bem situada... esse soldado é exceção na tropa de brutos e inúteis que precisam se ocupar!

Para terminar: um dia indaguei, respeitosamente, um comandante de companhia. Só tínhamos, na CCSv, o plantão de Hall, portanto três soldados, um cabo e um sargento eram escalados para o serviço, mas quem realmente “puxava hora” no hall eram os soldados, armados de cassetetes de madeira, que tinham como obrigação atender os telefonemas no orelhão da companhia (isso dá uma interessante história sobre as taras humanas), zelar para que ninguém quebrasse a companhia, batesse punheta nos alojamentos e que, sobretudo, na manhã do dia seguinte, acordasse oficiais e sargentos seguindo a risca um tal de “acordômetro”, inventado na era pré-despertadores de corda e digitais, e ainda utilizado no exército por oficiais que mais pareciam oficiais de um exército do Antigo Regime. A partir daquela semana esse comandante tinha determinado que teríamos, também, um plantão com três soldados que ficariam acordados, em seus turnos, no banheiro recém inaugurado. Essa situação pioraria a nossa vidinha, já que dobraríamos na escala, isto é, se tirávamos um serviço a cada cinco dias na escala preta, tiraríamos dois no mesmo tempo, já que dobraria o número de soldados necessários para o serviço que de três soldados para ser executado, passaria a se utilizar de mais três, portanto seis soldados... Perguntei se o plantão de hall não daria conta do banheiro, e apontei o problema da dupla escala de serviço, na companhia. O comandante não pensou duas vezes, após a indagação, e afirmou algo tão corriqueiro e em tom natural: “soldado sem fazer nada é uma merda, é mente do diabo”. “Vocês precisam ser ocupados senão fazem merda”, “ainda quero criar uma terceira escala, raciocinem!”. Desta terceira escala, veio o tal e bizarro “sorveteiro de dia”, mas era uma escala de mentira, afinal, o seu executor já era algum recruta que estava tirando serviço no hall, ou no banheiro. Dali em diante, eu, por exemplo, fiquei numerosas vezes velando por merdas flutuantes, inteiras ou decompostas, e mijos diluídos, naquelas madrugadas que só quem passou, sabe o que estou dizendo...

No fundo, o oficial só explicitou um pensamento comum, amalgamado nessa nossa alma canalha, mas, ao mesmo tempo cordial, afinal, não existe cidadão nem ali, nem aqui... não é mesmo?



SD Moraes Gomes

04/07/2012

1994 o ano que não acabou (Parte I – Política/Economia)



Ainda conscritos
O ano de 1994 foi realmente impactante em nossas vidas. Não só pelo fato de termos servido o exército, mas sim pelos acontecimentos mundiais, sem nenhum exagero, que aconteceram nesse período, e que mudou a vida de muita gente. Em todas as esferas, algo relevante aconteceu: esportes, cultura, economia, política, tudo mudou para nós brasileiros e, principalmente, para nós jovens ingressos no serviço militar obrigatório.

Vou dividir esse tópico em partes: política, cultura, esportes, acampamento, assassinato... Não sei ao certo quantas partes serão, pois a maioria dos assuntos estão entrelaçados e é melhor dividi-los em assuntos e textos menores, para melhor compreende-los.

Ter ingressado no exército com certeza foi a maior mudança em nossas vidas. Em nosso jeito de encarar e se relacionar com o mundo. Mas os acontecimentos extra-EB foram muito significativos. Acredito que o maior deles, para nós brasileiros, aconteceu no campo político e econômico.
Thereza Collor, mulher de
Pedro Collor, na época.

Dois anos antes Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto, depois da Ditadura Militar, sofreu o processo de Impeachment, algo totalmente novo na política brasileira e raro em âmbito mundial. Fernando Collor foi caçado depois que seu tesoureiro de campanha, Paulo Cesar Farias, teve esquemas de corrupção denunciados pelo próprio irmão do presidente, Pedro Collor de Mello, que, coincidência ou não, morreu em 1994, em decorrência de um câncer cerebral. Dizem que ele passava dez horas por dia com o celular na orelha. Talvez isso mate.


O antecessor de Collor, o rei do Maranhão José Sarney (que está aí até hoje) não deixou saudades na presidência da república. No lugar de Collor quem assumiu foi Itamar Franco, que dentre poucas coisas é lembrado por ter sido fotografado no carnaval carioca ao lado da atriz Lilian Ramos, sem calcinha, e por ter “relançado” o Fusca, modelo que informalmente leva seu nome.

A economia brasileira vinha de mal a pior, até que o futuro presidente Fernando Henrique Cardoso, Ministro da Fazendo do governo Itamar Franco, colocou em prática o Plano Real. FHC é tido como “o cara” que mudou a economia, mas na verdade o idealizador desse plano é Edmar Bacha, que na época integrava sua equipe de economistas.

O Plano Real simplesmente mudou a cara do Brasil. Em épocas anteriores ao plano, a inflação tornava a vida do brasileiro um inferno. Pela manhã certo produto tinha determinado preço. À tarde o mesmo produto custava de 30% a 50% mais caro. E na manhã seguinte o mesmo produto sofria outra elevação de preço. E assim sucessivamente. Era algo absurdo, comparado aos dias de hoje. O Plano Real botou a economia nos eixos, mas botou também muita gente “no olho da rua”.

Muitas empresas ganhavam, ou melhor, se mantinham, aplicando dinheiro em cadernetas de poupança, que na época rendiam em torno de 50% a 60% ao mês, chegando a atingir picos de 80%. Com o Real em circulação, mais zeros foram cortados, nossa moeda foi igualda ao Dólar americano, os juros de poupança vertiginosamente caíram e ficaram entre 0,5% e 0,6% ao mês, e o Plano finalmente conteve o dragão da inflação. Nesse cenário catastrófico de falências é que saímos do EB.

Lembro-me de alguns de nós que saíram na primeira baixa (final de 1994) falando de como estava difícil de arrumar emprego. O mercado não oferecia nada. Alguns que estavam empregados antes de ingressar no EB, ao retornar às empresas, foram demitidos. Acredito que a maioria de nós egressos sofreu muito para conseguir trabalho. Eu mesmo demorei mais de um ano para conseguir. E mesmo assim arrumei um porque fui chamado pela Eletropaulo, depois de prestar concurso público. Fiquei pouco mais de um ano na estatal. Os “tucanos” a privatizaram e eu fui um dos 5.000 contemplados com um “pé na bunda”! Até o mercado se estabilizar, sofremos muito com o desemprego.
 
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico algo histórico acontecia: no continente africano o ex-líder rebelde Nelson Madela, que ficou preso de 1964 a 1990, condenado à prisão perpétua pelo regime segregacionista Apartheid, era eleito o primeiro presidente negro da África do Sul. Perto dali, em Ruanda, as tropas hutus, treinadas pelo exercido ruandês, massacravam o grupo rival, os tutsis. Nesse genocídio étnico, foram mortas mais de 500.000 pessoas.

Não foi nada fácil o ano de 1994, sentimos seus efeitos até hoje, mas estamos aí. Sobrevivemos.

23/06/2012

CCSv Futebol Clube

O Brasil é o país do futebol, sem dúvida. As movimentações que acontecem em finais de campeonatos (multidões que saem as ruas para irem aos estádios, irem a bares, reportagens, brigas, camelôs, barracas de lanches, cambistas, fanáticos pagadores de promessa e muito mais) comprovam isso. Certa vez, numa entrevista, Pelé, considerado ainda o rei do futebol arte, fez um comentário pertinente sobre os gramados espalhados pelo Brasil: “o MST invade fazendas, chácaras, terras, mas nunca invade um campo de futebol, pode perceber!”. Realmente, dá pra considerar que tratamos as quatro linhas como um local sagrado. Maculá-lo com qualquer coisa que não seja Cal, é um pecado mortal.

Campo de Futebol Sgt Soares. Ao fundo a CCSv.
Talvez o futebol exerça todo esse fascínio, por conta do arquétipo do guerreiro, que está impregnado no jogo inglês. Gostamos de ver os jogadores do time para o qual torcemos correr, lutar, brigar, esforçar-se ao máximo para obter a vitória. E mesmo se a vitória não é conquistada, mas o time fez das tripas coração para tentar atingi-la, reconhecemos no elenco o esforço. A mitologia inconsciente e coletiva, misturada ao subdesenvolvimento e a falta de heróis, faz do futebol a paixão nacional. E essa paixão se renova a cada drible de uma nova promessa que aparece em campo.  

Nós da CCSv passamos toda a nossa corporação olhando para um campo de futebol, que ficava logo à frente da companhia. Era sair do hall e olhar para ele, caminhar até as escadas laterais olhando-o, descer as escadas olhando-o e dependendo para onde você fosse, caminharia a sua beira, talvez até toda sua extensão. Para quem gostava de jogar, acredito que essas pessoas passavam os dias esperando por uma oportunidade de bater uma bolinha no tapete sagrado da PE.

Todo brasileiro que gosta de jogar futebol – imagino - acredita que é um bom jogador. Isso sem falar nos que já afirmam ser bons, mesmo não sendo. Alguns até são, mas poucos. Lembro na CCSv que o Sd Vieira Cunha e o Sd Viana eram os “craques” do EB. O primeiro era carioca e dizia que, quando desse a baixa, jogaria no Fluminense. O segundo, o baiano, dizia que ia fazer teste no Corinthians, estava tudo acertado. Como acompanho um pouco futebol e nunca ouvi falar neles, pelo menos nesses clubes, acho que não saíram da várzea.

Esta foto abaixo é referente a um jogo realizado numa espécie de olimpíadas que aconteceu no 2ºBPE. Um quadrangular com as Cias: Primeira, Segunda, Escola e Guarda e a CCSv. Se não me engano, perdemos o primeiro jogo e esse terminou em 0 X 0. Foi para os pênaltis. O goleiro, Cb Senna, saiu consagrado, pois além de defender uma das cobranças do adversário, bateu e converteu um pênalti em gol, levando nosso time à vitória. Lembro que o ergueram e carregaram-no nos braços, cantando do Tema da Vitória, a música que a Rede Globo tocava quando Airton Senna conquistava mais um primeiro lugar no pódio.

Não me lembro de outras partidas naquele campo. Servia muito mais para corrermos em volta dele, do que em sua superfície verde e macia. Isso para os soldados, porque para sargentos e oficiais as coisas eram muito diferentes.

Depois da tragédia que aconteceu no batalhão (que será contada em outro post), o campo ganhou o nome do sargento do rancho, que foi assassinado a tiros: Sgt Soares.

Hoje o gramado não existe mais.

A frase de incentivo do técnico e comandante da companhia, Ten C. Lima: “se vocês perderem hoje vou passar vergonha... se preparem, vou rasgar vocês!”.





Da esquerda à direita, em pé: Ten C. Lima (técnico por força da patente), Sgt Otoni, Sd Santos, Sd Viera Cunha, Cabo (não lembro o nome), Sd Quadrado, Cb Senna, Sgt Juliandro – Agachados: Sd Jurca, Sd Araujo, Sd Cruz, Cb Xavier, Sd Cavalcanti, Sd Ricardo, Sd Rogério.




Sd Braga

22/03/2012

Incorporação 1994 - Último fora de forma!


Ainda vibro quando vejo este vídeo!

Mesmo quase 20 anos depois da baixa, assisti-lo causa muita emoção, pois trata-se de um momento único, vivido por poucas pessoas. 

Acredito que esse dia ainda é um dos mais felizes da vida de muitos de nós, ex-combatentes.

O vídeo foi feito pelos familiares do Sd Chalet. Na época, câmeras filmadoras, além de enormes, eram coisas raras.

Aproveitem o vídeo! 

Uma vez PE, sempre PE.

P - E - BRASIL!




Sd Braga

14/03/2012

Eu não queria, mas...


Se teve uma coisa que eu afirmei e reafirmei durante o processo de seleção militar foi que eu não queria servir! O que não adiantou muito. Compareci várias vezes no HG (Hospital Geral do Exército), que fica no Cambuci (bairro de São Paulo), fiz todos os exames médicos e fiz até uma prova! Não sei nem para que servia a dita. Mandaram-me para o CPOR (Curso Preparatório para Oficiais da Reserva), mas fui logo dispensado de lá, pois eles só ficaram com os conscritos que já cursavam ensino superior. O mais interessante no CPOR é que um sargento disse que nós, os rejeitados, provavelmente seriamos dispensados de vez, que tínhamos 95% de chance de não servir! Saí de lá cheio de esperança, mas... É, eu fui um dos 5% que continuaram o processo de seleção.  

Dias depois compareci novamente no HG e fui designado para o 2º BPE. Chegando lá refiz todos os exames médicos e fiz um teste para ser datilógrafo, já que eu era diplomado no assunto.

No dia em que deram o veredicto, quem fica e quem não fica, fiquei... Fiquei na PE por exatos um ano, um mês e dez dias (e algumas horas). E fui datilógrafo da 3ª Seção, apesar de na minha Reservista constar que fui Padioleiro.

Lembro-me de vários voluntários chorando por terem sido dispensados. Alguns, com muita insistência e lágrimas, conseguiram ingressar no EB, mas depois choraram novamente para sair.

A experiência de cumprir o Serviço Militar Obrigatório é uma coisa única. Cada dia é um dia diferente, há muitos momentos de descontração e muitos de apreensão. Recordo-me de muitas coisas que aconteceram e rio da maioria delas. Muitas amizades ficaram, o que é muito bom. Mas se fosse para servir novamente, sem chance mamãe, não queria e ainda não quero.


Muitos de nós já cantaram esta música:




Sd Braga