19/04/2018

General Bar


Uma coisa curiosa que me lembro do SD Pereira Júnior (PelSeg) é de quando ele roia as unhas: fazia várias “caretas”, porque ele passava nelas um remédio (para não dizer esmalte, pega mal) que tinha um “sabor ruim”, justamente para inibir a mania carcome-las. Segundo ele me disse recentemente, não funcionou.

Em março deste ano ele inaugurou o General Bar, no município de Vassouras (RJ), que fica a 111km da capital fluminense. O nome não poderia ser mais apropriado: ex-militar (obrigatório), proprietário do General Bar, situado na Av do Expedicionário Oswaldo de Almeida Ramos. Padrão!


Música ao vivo, porções, os mais variados drinques, se estiver passando pela região, vá até lá prestar continência ao mais novo General. 


SD Braga





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17/04/2018

Skamoondongos



Faz tempo e não lembro muito, mas encontrei o SD Krenek numa casa de shows... De rock e afins, claro, no começo dos anos 2000. Conversamos sobre a PE, sobre um outro ex-combatente que havia participado (na época) do BBB e acho que só. Depois o encontrei numa outra ocasião, mas não me recordo o mínimo do que ocorreu e onde foi.
 
Krenek na  dura fase de conscrito.
Como não tenho mais contato com ele, essa publicação será feita meio que “no escuro”.

O SD Krenek era da 1º Cia e também fazia parte da fanfarra do batalhão. Tocava zabumba, se não me engano. Era ele na zabumba, o SD Franklin no tarol e mais um outro soldado cujo não me recordo. A fanfarra fazia a trilha sonora para o hasteamento do pavilhão nacional e marcava o ritmo da marcha em algumas formaturas do batalhão.

Das marchas militares ao ska: SD Krenek agora é conhecido como Axl Rude, vocalista do Skamoondongos, banda paulistana iniciada em 1994 e que gravou seu primeiro álbum, o “Segundo”, em 97. Teve vídeo-clip veiculado diariamente na MTV, da música “Pobre Plebeu”. Esteve em atividade até 2004, coincidentemente ao período em que “trombei” o Krenek nos rocks da vida.

Em primeiro plano, no Skamoondongos

A banda retornou à ativa em 2014 para comemorar seus 20 anos de início e trabalhos.

SD Braga


O álbum


Ao vivo no SESC Belezinho, 2015


Fontes:
https://www.skamoondongos.com/home
https://pt.wikipedia.org/wiki/Skamoondongos
https://www.facebook.com/Skamoondogos/

23 anos de baixa

  
  Nem parece, mas já se passaram 23 anos da 3º baixa dos incorporados em 07/03/1994. A PE ficou para trás, mas a memória não.


SGT Hartman, do filme "Nascido Para Matar"

07/04/2018

Dekassegui mochileiro dá volta ao mundo


Em 2007 o SD Moacir (1º Cia) largou o emprego no Japão e decidiu “mochilar” pelo mundo.



A matéria abaixo, sobre essa viagem, foi publicada em 26/11/2007 no blog Movimento Dekassegui, escrita por Gilberto Yoshinaga.

"Ao completar 10 anos de trabalho no Japão, cansado da rotina na fábrica e determinado a quebrar o gelo de alguma forma, num certo dia de abril deste ano Moacir Araújo Gonçalves, 33 anos, decidiu visitar os familiares no Brasil. Antes, porém, queria conhecer alguns países. Sem um planejamento traçado, colocou uma mochila nas costas e, quando percebeu, já havia percorrido 25 cidades de 13 países, durante quase três meses.

Fascinado por analisar as diferenças culturais entre os povos, o brasileiro, que reside em Chita (Aichi), começou sua aventura por Hong Kong e Macau, e depois pegou um vôo para Paris. Então, saiu pela Europa sem destino certo. “Depois da França, conheci a Holanda, Alemanha, Suíça e Áustria, sempre observando o mapa e decidindo para onde ir”, conta Gonçalves. “Da Áustria, eu pretendia seguir para a República Checa e, depois, Polônia, Suécia, Dinamarca, Letônia e Lituânia. Mas, ainda na Áustria, perdi um trem e decidi ir para onde o trem seguinte rumaria. Resultado: ao invés da República Checa, segui para a Hungria.”


O imprevisto mudou totalmente o itinerário do brasileiro, que depois seguiu para Romênia, Turquia, Grécia, Itália e Espanha, onde finalizou sua excursão pela Europa. “O mais interessante é que eu me propus a fazer algo e fiz. Devo muito disso ao total apoio da minha esposa Karina e das minhas filhas Rafaela e Isabela”, destaca. “Acho que muitos brasileiros se aprisionam ao trabalho no Japão porque pensam apenas no dinheiro. Eu fiz essa viagem para me desprender dessa rotina e provar para mim mesmo que sou capaz de cumprir uma meta, por mais louca que ela possa parecer.”
Uma boa surpresa da viagem foi ter conhecido Satoru, um japonês portador de deficiência física, morador de Kobe (Hyogo), dentro de um trem, no caminho entre Áustria e Hungria. “Quando eu o vi, me interessei em fazer contato, porque já passei mais de três meses numa cadeira de rodas quando sofri um acidente de moto e sei como é difícil. Ele ficou surpreso porque o abordei em japonês, fizemos amizade e eu ofereci ajuda”, lembra. “De certa forma, essa foi uma maneira de retribuir toda a gratidão que tenho pelo Japão. Além disso, ganhei um amigo que prometeu visitar minha casa.”

Cultura

Apaixonado por Arte, o aventureiro viu muitas relíquias históricas, em visitas ao Museu do Louvre (França), ao Museu Picasso (Espanha) e à Capela Sistina (Itália), entre outros pontos. Amante de livros, também refletiu sobre passagens históricas, ao conhecer Istambul (Turquia), Atenas (Grécia) e Roma (Itália). “Não quero ficar me gabando desta viagem. Meu propósito é mostrar que qualquer dekassegui é capaz de fazer o que eu fiz, desde que se liberte de alguns medos e acredite na própria capacidade de realizar algo que deseja”, filosofa.

Gonçalves comenta o aprendizado que teve com a viagem. “Em todos os lugares, há pessoas boas e ruins. Além disso, percebi que o comportamento e as reações de cada um a determinadas atitudes dependem da formação cultural”, reflete. “Por exemplo, os alemães são muito enérgicos e, numa primeira impressão, pensei que eles eram rudes comigo. Mas percebi que esse é o jeito deles. Da mesma forma, talvez um japonês pode achar que o meu jeito de falar é meio agressivo.”

O brasileiro já tem novos desafios em mente: “tenho muita curiosidade de conhecer Austrália, África do Sul, Quênia, China, Israel e Egito”, finaliza."

Fonte: https://movimentodekassegui.blogspot.com.br/2007/11/jornal-tudo-bem-dekassegui-mochileiro-d.html?m=1


SD Braga

Terceira baixa

  Naquela época, filmar qualquer evento era algo para poucos, pois os equipamentos eram caros, grandes e nem todo mundo sabia como manejá-los. 

  Mas o SD Chalet, que na época estava a par das tecnologias, fez esse grande favor a nós e (um familiar seu) filmou toda a formatura de 3º baixa.

  Mais um belo registro daqueles tempos...




SD Braga

@ABPoeta

SD Braga foi datilógrafo da 3º Seção, apesar de ter entrado para a reserva como “Padioleiro”. Começou a escrever seus primeiros textos em 2007, muito tempo depois da baixa.


A princípio os publicou no blog AB Poeta. Participou de alguns concursos da CâmaraBrasileira de Jovens Escritores e teve poemas e contos publicados em 12 de suas coletâneas. Participou também das coletâneas “Uma letra, a frase, uma poesia, o sonho” da editora Virtual Books, e da “Mundo Mundano 2, e seu novo mundo”, editora Prólogo.

Em 2010 laçou seu primeiro livro, “PoemasErrados, dias intranquilos”, pela editora All Print. O segundo livro, “APsicoautoantropofagia da Vida Cotidiana”, editou em 2015 pela editora Penalux. Editou mais dois livros: “O mar dentro da concha” e “Poesias de gaveta”, ambos pela AG Book, editora que imprime livros “por demanda”.

Ainda pretende lançar mais dois: um impresso, de poesias eróticas e outro “por demanda”, uma reunião de contos e crônicas que estão publicadas no blog.

Contatos e links estão abaixo:

Textos:
https://abpoeta.blogs.sapo.pt/
http://abpoeta.blogspot.com.br/
http://contosdofritz.blogs.sapo.pt/

Livros:
http://poemaserrados.blogspot.com.br/

Poesias declamadas:
https://soundcloud.com/doctorfritz

Fanpage:
https://www.facebook.com/abpoeta

Twitter e Instagram: @ABPoeta

E-mail para contato:
andre.al.braga@gmail.com


SD Braga

Canção do Exército - 1994

 Formatura de devolução do braçal dos soldados do 2ºBPE, que saíram na 1ª Baixa, dia 31/11/1994.

  A canção entoada pelos soldados é a Canção do Exército, umas das várias que tínhamos que decorar.

 Vídeo publicado no canal o youtube do SD Hilton Muccillo, que , acredito eu, fez parte dessa formatura.





SD Braga

06/04/2018

Ex-combatentes


         Depois da vida militar obrigatória, cada soldado seguiu seu caminho, o que é normal e esperado. Um ou outro engajou, mas a maioria preferiu sair da caserna.

         A vida nos levou pelos mais diversos caminhos: músicos, artistas plásticos, escritores, fotógrafos, historiadores, “blogueiros”, chefes de cozinha... De colecionadores peculiares até ex-BBB, há de tudo um pouco.

                  O marcador ex-combatentes, abaixo das postagens, seleciona esse assunto. Na lateral do blog há alguns endereços de sites e fanpages, para quem já quiser ter uma ideia do que está por vir.

Nas próximas postagens mostraremos alguns trabalhos dos ex-combatentes e contatos para quem possa se interessar.


SD Braga

06/02/2017

Comandante do Batalhão


Uma matéria muito interessante sobre o comandante do 2ºBPE de 1994, Alvarim Pires do Couto Filho.



Artigo de Derek Destito Vertino

02/06/2016

Colecionador de taxímetros II


Nosso amigo SD Longo mais uma vez é destaque quando o assunto é taxímetro!

A matéria é do programa Repórter Universitário da Band News.





15/09/2015

...



Hoje recebemos a notícia de que mais um combatente faleceu, o SD Misiti, nessa segunda-feira 14/09/15, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

Fique em paz, combatente, e nossos sentimentos à sua família.






19/06/2015

Batalha Naval do Riachuelo



O SD Moraes Gomes, hoje historiador, comenta no REDETV News sobre a Batalha Naval do Riachuelo (Guerra do Paraguay), que completa 150 anos.




O vídeo também pode ser visto no site do REDETV News, clicando aqui.

Programa foi exibido no dia 11/06/2015.

21/02/2015

Esquina Digital


Muita gente fala que a Internet está distanciando as pessoas, que as relações tornaram-se frias com o advento da era digital e coisas do gênero, o que discordo completamente. Se a pessoa não quer te ver, ela não quer te ver e ponto final. Fazer contato hoje é muito fácil, quem não quer fazer é porque não está afim mesmo. Não é a internet que provoca esse distanciamento. Na verdade não sei o que seria da amizade sem as redes digitais, que se proliferam cada vez mais. Parece contraditória minha opinião com o consenso geral sobre internet, mas você que está lendo esse texto, logo vai entender onde quero chegar e o porquê da minha posição.

Minha infância foi igual à de qualquer criança de periferia (na década de 1980), foi brincada na rua, com um monte de outras, que faziam parte da mesma vizinhança ou do colégio. A amizade era formada a partir de um território geográfico habitado em comum. Acabava a aula, íamos para nossas casas guardar o material escolar e correr para a rua, todo dia era assim até o fim do dia.

A adolescência (ou pré) deu as caras e ao invés de nos juntarmos para brincar, ficávamos na esquina dessa mesma rua que nos serviu de playground, conversando sobre tudo quanto é coisa que nosso pouco conhecimento permitia e nossa limitação territorial alcançava. E outras turmas de jovens se formavam em outras esquinas e assim por diante. Existia até certa rivalidade entre alguns grupos, o que acredito ser normal para a idade. Juventude sem rebeldia não é juventude.

Com a idade avançando, a responsabilidade chega junto: aos quatorze anos saíamos para procurar emprego (a lei ainda não proibia), o que alterou totalmente nossa rotina de amizade: passávamos a nos encontrar só anoite no colégio e a esquina ficava para os finais de semana. Quando nos reuníamos, cada um contava sua nova experiência, sua expectativa e sobre as novas amizades. Durante um bom tempo a esquina foi nosso ponto de encontro, nossa sala de bate papo.

E o tempo passou, entramos em faculdade, outro emprego, cursos extras e nesse entra e saí de instituições, novas amizades são feitas, porém sem tanta substância, pois o único ponto de união entre as pessoas é a instituição. E o desligamento de determinada instituição, implicava também em deixar para trás muitos colegas. Adicionar em rede social, isso ainda nem imaginávamos que pudesse um dia existir.

Uma das instituições por qual passei e formei muitos amigos foi o Exército. Como todo jovem a beira dos dezoito anos, eu não queria servir à pátria, mas... Serviço Militar Obrigatório, isso já explica o meu ingresso na vida militar. Foram exatos um ano um mês e dez dias de vida de soldado, nem preciso falar que muita coisa aconteceu e que conheci muita gente. Éramos cento e vinte na mesma companhia, havia quatro companhias diferentes, fazendo uma conta rápida, foram quase quinhentos jovens que ingressaram juntos, somados os que já estavam lá, que optaram por aquela vida... Aquela vida.

As baixas do exército são concedidas em três momentos diferentes: a primeira com oito meses de incorporação, a segunda com onze, a terceira e última com um pouco mais de doze, que foi a minha. Fiquei até o último dia, até o fim. Fui o chamado NB - Núcleo Base - (lembra daquela música do Ira!?). Lembro-me desse dia até hoje, um dos mais felizes da minha vida, sem dúvida.

Com o fim do serviço militar obrigatório, a maioria das amizades ganhou distância, outras até foram esquecidas. Nessa época (1995), Internet era coisa de mega-nerd que tinha acesso a computador. E ser mega-nerd não era pra qualquer um. O PC também era algo distante, de difícil acesso. Lembro que trabalhei numa empresa que só tinha um no departamento e só uma pessoa é que sabia mexer nele. Não era como hoje, que o PC virou um eletrodoméstico vendido em qualquer magazine, com prazos de pagamento a sumir de vista. A produção em larga escala e a neoescravidão dos trabalhadores em países asiáticos, barateou o PC e possibilitou seu acesso para quase todo mundo do mundo todo. Nesse contexto de proliferação tecnológica é que as redes sociais entram em campo e ganham grandes dimensões, adeptos e reformulou nossas relações interpessoais.

Como todo brasileiro que teve acesso à internet em meados dos anos 2000, ingressei no Orkut, rede social que virou febre e que recuperou muita coisa relativa à amizade, acredito eu. Era (e é) muito fácil: é só lembrar-se do nome da pessoa a ser encontrada e, caso ela também faça parte da rede, você irá encontra-la. E foi o que aconteceu. Confesso que no começo achava essas redes uma perda de tempo, uma bobagem total. Com certeza eu não havia entendido o poder de integração entre as pessoas que essas redes proporcionam. Em pouco tempo eu havia encontrado muita gente que fazia muito tempo que eu não tinha nenhum tipo de contato nem notícia. O pessoal que estudou comigo no colégio, gente de empresas que trabalhei, o pessoal do quartel... E através de um você chega a outro e a outro e a outro... De repente tanta gente que eu nem lembrava que existia mais, ressurgiu. A maioria do pessoal do quartel eu não via a pelo menos uns quinze anos. É muito tempo e gente para guardar só na memória.

Nesse reencontro digital, formamos uma comunidade no Orkut (Sim, servi a PE em 94) e começamos a nos falar. No começo juntamos vinte e cinco pessoas. Começamos a tentar localizar quem não estava no grupo, a trocar ideias, fotos e fatos esquecidos. O Orkut caiu de moda e entrou o Facebook em seu lugar. Todos migraram para a nova rede que crescia no país e começamos a encontrar mais e mais gente, no Brasil e fora dele.

No dia da última baixa, um parente de alguém levou uma câmera filmadora VHS, máquina e fita enormes, parecida com aquelas que as redes de televisão utilizam. Eis que transformaram a filmagem de VHS em arquivo AVI e isso foi distribuído entre nós. Foi emocionante rever esse dia, a formatura completa de desincorporação. Toda vez que vejo esse vídeo fico feliz novamente. Depois de convertido o vídeo em arquivo, ir parar no YouTube foi um pulo. A lembrança “upada” na rede, agora pode ser acessada e assistida por qualquer um a qualquer momento.

O novo grupo no Facebook recrutou mais gente e só faltava agora nos encontrarmos. Foi o que aconteceu: marcamos num sábado, num bar em que um do grupo trabalhava e em determinada tarde estávamos lá, dezesseis anos depois da baixa. Vou dizer algo totalmente clichê, mas foi como se um filme passasse na minha cabeça. As lembranças tomaram conta da tarde, do ambiente e muita coisa que estava esquecida veio à tona. Um lembrava de uma história e outro de outra, ficamos sabendo o que um faz hoje, o que fez, quem casou, quem não engordou, quem ficou careca, quem sumiu do mapa, quem morreu.

Esses encontros se multiplicaram e em cada novo encontro surge alguém novo e novas conversas. Foram tantas as histórias, as lembranças, que viraram um blog (este mesmo), onde qualquer um pode escrever e colaborar com a memória coletiva.

Neste ano de dois mil e quatorze faremos vinte anos de incorporação no 2º Batalhão de Polícia do Exército e vamos celebrar o acontecimento! Tenho certeza que se não fossem as redes sociais, nenhum desses reencontros teriam acontecido. Seriamos uma lembrança que seria acessada somente por poucas fotos, que passariam boa parte do tempo guardadas em alguma gaveta por aí.

Hoje qualquer novidade pode ser contada via rede e todos do grupo ficam sabendo. Os laços foram reatados, as pessoas reencontradas e essa nova esquina, esse novo ponto de encontro e troca de ideias, com toda certeza, vai prolongar muitas amizades por muito tempo.


SD Braga




www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=4607793
www.youtube.com/watch?v=2Rf7aZhksDM
www.facebook.com/groups/207870625912885/

14/11/2014

...





Ontem 13/11/14 nosso grande amigo de farda e afins, SD Façanha, faleceu em decorrência de um ataque cardíaco.


Todos os nossos sentimentos à sua família.


Fique em paz combatente. Até a próxima.



Cajamar/SP 1994 

Abílio Soares/SP 11/2013
SDs: Augusto, Mereu, Leandro, Campos, Braga e Façanha.


Seus textos para este blog:

17/09/2014

Registros PIC - 2ºBPE 1994/1995

  O SD Leonardo, vulgo Sapão (para os íntimos), publicou em seu canal no youtube (Leopereira joinville) os três vídeos abaixo.

  Os dois primeiros são fotos de seu arquivo pessoal. O terceiro foi feito pelo SD Silva Lima, em VHS, e convertido pelo Sapão em arquivo.


carteira de "monstrorista"


Fotos de seu arquivo pessoal






Estande de tiro - PIC 1994/1995
Instrução aos conscritos




SD Braga



18/05/2014

Colecionador de taxímetros I

  
  Quando você dá baixa do serviço militar, de uma coisa você pode ter certeza: vai sempre encontrar algum ex-combatente num lugar que você menos espera.

  Estava eu zapeando a tevê quando de repente me deparo com o inconfundível SD Longo!






  Ele aparece na primeira matéria do programa Taxi Melhor (n° 35), veiculado pelo canal TV Aberta (canal 9, NET).

  O mundo é pequeno demais...






O programa completo



Sd Braga

22/01/2013

Só quem serviu é que sabe



Pode ser bebedeira, ou somente masoquismo mesmo, mas a saudade daquele quartel onde comemos o pão que o diabo amassou bate de uma forma abrupta, sem avisar, parece a saudade que tenho de minhas tias que morreram, ou pior, a saudade que tenho dos meus filhos quando estão longe de mim...Porém minhas tias e meus filhos só me deram, e dão, felicidade e amor , enquanto aquele local causou sofrimento bruto e puro, o que será isso? Um truque da memória ou o descobrir da verdade: o mundo aqui fora é muito mais mentiroso e terrível do que aquele contido entre muros na Rua Abílio Soares. 

Casei-me novamente em 2012, a vida continua apesar de todos os pedaços que deixamos pelo caminho. Dia 30 estarei me mudando para a Rua Abílio Soares. Estarei voltando para perto da casa que nunca me deixou e que nunca me deixará...

SD Façanha 


Algumas horas antes de embarcar para Cajamar (2º acampamento)

25/08/2012

Dia do Soldado


A todos os cães que serviram, servem e servirão à pátria amada Brasil, de forma obrigatória ou não, parabéns!


Cajamar - SP 


Canção do Exército (ou Canção do Soldado)



Nós somos da Pátria a guarda,
Fiéis soldados,
Por ela amados.
Nas cores de nossa farda
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.

Em nosso valor se encerra
Toda a esperança
Que um povo alcança.
Quando altiva for a Terra
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.
A paz queremos com fervor,
A guerra só nos causa dor.
Porém, se a Pátria amada
For um dia ultrajada
Lutaremos sem temor.

Como é sublime
Saber amar,
Com a alma adorar
A terra onde se nasce!
Amor febril
Pelo Brasil
No coração
Nosso que passe.

E quando a nação querida,
Frente ao inimigo,
Correr perigo,
Se dermos por ela a vida
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.
Assim ao Brasil faremos
Oferta igual
De amor filial.
E a ti, Pátria, salvaremos!
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória.

A paz queremos com fervor,
A guerra só nos causa dor.
Porém, se a Pátria amada
For um dia ultrajada
Lutaremos sem temor.

25/07/2012

Puxa-hora CÃO!



Sargentiação da CCSv
Quando tinha 18 anos, e sabia bem menos do que hoje, quando assistia aquelas propagandas das forças armadas, veiculas sempre no primeiro quadrimestre de cada ano, salientando a importância do alistamento, pensava comigo: “pode ser uma merda, mas tenho a impressão que, ricos e pobres, todos os soldados ficam numa mesma posição lá nas forças armadas”. Pensei, no alto da minha inexperiência, que o exército, principalmente, equalizava as diferenças sociais, já que, pensava: “todos comeriam a mesma gororoba, tirariam o mesmo serviço, dormiriam nos mesmos lugares”. Ainda que não querendo servir, na minha lógica de “moral de prejuízo”, raciocinava que de todo o caos, e contratempos resultantes do “chamamento do exército”, poderia ver essas diferenças sociais enfraquecidas pela dinâmica da caserna e da vida militar. Se servir, possivelmente, interpretava, viveria essa experiência única.

Estúpido engano! Numa sociedade retrógrada, conservadora e mesquinha como a nossa, isso não seria viável, e até, certo ponto, contraditório, e vou tentar me explicar: quando chegamos ao quartel, em fevereiro de 1994, nova triagem foi feita, mas a base de testes. Um exemplo: se você já dirigisse, poderia fazer um teste de direção, e se tornar motorista (lembro-me de um colega que disse que dirigia, mas quase nos atropelou e quase derrubou o muro do quartel). Se você soubesse datilografar, faria um teste nas maravilhosas e bem manutenidas máquinas do quartel, se soubesse de informática, poderia trabalhar com os poucos computadores que existiam no quartel, se você soubesse quebrar uma parede, montar e desmontar um encanamento ou telhado, poderia trabalhar no PO (Pelotão de Obras)...

Aliás, existia até mesmo uma hierarquia de prestígio e importância até dentro dos que tinham funções. Uma coisa era ser do PIC (Pelotão de Investigações Criminais), ou era ser do PO... mas, enfim, continuemos...

É lógico que fiz todos os testes que estariam ao meu alcance. Inclusive de “cachorreiro”, isto é, de adestrador “meia-boca” dos “bravos cães de guerra da PE”, inclusive com direito a comer a ração cozida dos cachorros, que nos foi servida no momento do teste. Como só sabia o nome da raça de três ou quatro, fui rejeitado pelo tenente R2 responsável pela seleção.

Como não sabia dirigir (como até hoje não sei), fiz o teste de datilógrafo. Confesso que sou rápido no negócio, e dou centenas de toques por minuto, se necessário, mas, se necessário...

Passei no teste de datilógrafo, e quando estava na companhia, ainda paisano (não tinha recebido o tal enxoval), também fui atentado com outro chamamento. Um tenente com uma cara estranha procurava “combatentes que lutassem artes marciais e que falassem línguas estrangeiras”. Fiz judô na infância, mas nada além de uma faixa que ia além da branca, que nem me lembrava mais da cor. Até pensei: “olha aí, uma nova oportunidade de ter alguma função nessa merda toda”. Só sei que fiquei intimidado com a cara do tal tenente, e imaginei os testes que seriam feitos com esse pessoal. Então, declinei das propostas, inclusive porque não sei bater em ninguém, não desejo bater em ninguém, e mal domino o idioma nativo... mas um grupo de colegas, da mesma companhia, foi fazer o teste, que nem imagino do que se tratou... mas que sei que originou dois pelotões da nossa companhia.

FAL, Beretta e Pistola 9mm
Pois bem, se você tivesse alguma função no quartel, os seus dias de faxina seriam bem reduzidos. Isto é, você só faria uma faxina quando estivesse de serviço, ou no dia da punição, seja no pernoite, ou mesmo as punições coletivas, de pelotão, companhia ou batalhão, quando alguém “cagava no pau”, e todos ficavam “detidos”. Fora isso, você quase não fazia faxina, mas alguém fazia o “trabalho sujo”... pois é, aí vem uma outra faceta da nossa sociedade, da qual as forças armadas, sobretudo porque emanam dessa mesma sociedade, não escapam.

Quem “não sabia fazer nada”, isto é, não tinha uma função, ficava, implicitamente, numa hierarquia menor, isto é, algo mais oculto, mas, contraditoriamente mais explícito socialmente falando, ficava “puxando-hora” armado, e fazendo faxina. Garanto que são dois serviços dos mais horríveis que se pode ter num quartel, em tempo de paz...

Aquele batalhão em que servíamos era constituído por quatro companhias. A Primeira, a Segunda, a Escolta e Guarda, e a nossa, a CCSv. As três primeiras eram constituídas, em sua maioria, por colegas que não tinham uma função definida, de atividades corriqueiras, quero dizer: para o exército, nossos camaradas não possuíam instrução suficiente, ou não dominavam conhecimentos que garantiriam a sua permanência em funções administrativas ou especiais. Portanto, eram condenados a “puxar-hora” (na guarita), e fazer faxina, já que quem dominava o exercício de alguma função, de algum recurso, tinha uma vida um pouco mais suave, e completamente suave se compararmos com a vida dos nossos colegas “puxadores-de-hora”.

O negócio era tão brutal, e explícito, que a nossa companhia, a Companhia de Comando e Serviço, cujos os membros estavam “todos à destino”, isto é, tinham alguma função na própria companhia, ou mesmo no batalhão, possuía as iniciais CCSv, porém, nossos camaradas, revoltados com a situação (com um óbvio e legítimo rancor), ironicamente a chamavam de Casa, Comida e Sossego, ou Casa, Comida, Sossego e Vadiagem. É bom salientar que isso já vinha de outras incorporações, e de outras unidades, e que herdamos essa alcunha um tanto quanto explicitadora da situação social, bizarra, nossa, e de nossos camaradas. O exército jamais equalizou, ele só reafirmou e reafirma essa separação... sendo que “servir” não é um ato de cidadania, como querem fazer-nos acreditar, mas apenas de manutenção do status quo reinante absoluto, e a manutenção do emprego de muita gente, sobretudo oficiais ou os tais “profissionais”.
PMT

Quando você chegava ao quartel, e conhecendo a sociedade em que vive, percebia-se também essa distinção lá. Não é a toa que a turma corria (eu também corri!) para fazer os tais testes, e nisso fica claro o exemplo do colega que quase atropelou uma companhia em forma, e que quase derrubou um muro com o caminhão de choque, na hora de seu teste de direção, e de um outro colega, pobre, e voluntário que, passando necessidades em São Paulo, afirmou que fazia manutenção de determinadas máquinas, mas que, por falta de gente que exercesse a função, acabou por preenche-la, ainda  que, durante aquele ano, não tenha conseguido fazer a manutenção de uma máquina sequer. No entanto, precisa sobreviver...

Aos demais camaradas das outras companhias, exceto o pessoal constituinte da Seção de Comando de cada uma delas, só sobrava o serviço de guarda ao quartel, que era um serviço pesado, e estressante, e as faxinas promovidas diariamente nas proximidades das companhias, serviço também chato, pesado e estressante, normalmente porque era “orientado” e monitorado por um superior sádico e tão revoltado quanto os que eram obrigados a exercer as atividades.

Quem ficava na guarita, em duas escalas horríveis e puxadas, a preta e a vermelha, o serviço era duplamente ruim. Primeiro porque você “tirava” o serviço armado, e arma decididamente não é algo bom de carregar (isso é uma exceção para maníacos, policiais e bandidos), e é pior quando você tem que carrega-la por 24 horas (agravado se for um fuzil, de quase cinco quilos municiado, ou uma submetralhadora, também municiada, que mais parece uma lanterna rayovac, e que também é pesada e desconfortável de se carregar).

Enfim, nossos camaradas saiam da hora, e ainda eram responsáveis pela faxina do aquartelamento. Isto é, quando não estavam “puxando-hora” nas guaritas, estavam “faxinando” o batalhão, carregando ou descarregando um caminhão, fazendo patrulhas idiotas, portanto correndo atrás de outros recrutas, de outras unidades, que estavam com cartão de cabelo vencido, cinto de metal sujo, farda amassada, coturno sem engraxar, sem usar o papo regulamentar, ou mesmo frequentando um puteiro próximo às estações de trem, e assim vai... resumindo: correndo atrás de gente como eles que, na folga, queria sair um pouco daquele ambiente estúpido e quase cerimonioso.

Pessoal do PIC
Um parênteses. Quem tinha função, isto é, era dessa “nata” de gente que exercia alguma atividade “mais nobre”, e tinha que tirar serviço armado, tinha a facilidade de ficar 24 horas armado com uma pistola Beretta, 9mm, que, se comparada ao FAL (Fuzil Automático “Leve”), e à submetralhadora, é um “galho fraco” de se carregar... e para haver mais distinção, e mais conforto, vários de nossos colegas de companhia compravam um tal de “robocop”, um coldre modernoso, visualmente agressivo que salientava ainda mais essa distinção. Me lembro de um cabo da companhia que adorava fazer observações técnicas, ainda que sem embasamento, e que dizia que o tal coldre modernoso era de Israel... o que dava mais ar de “nobreza”, e “operacionalidade” ao acessório militar... pra não falar das algemas que muitos também compravam, na intenção de “imobilizar” o prisioneiro (qual? O Zequinha maconheiro do esquadrão?!), e parecer-se com um policial, o que trazia mais ainda desvirtuamento para uma unidade que, malgrado tudo, era do exército, e de polícia, mas polícia do exército, e não a Rota... Graças a Deus!

Essa distinção também era explícita no trato com superiores, sejam praças ou oficiais. Muitos de nossos colegas recebiam um tratamento diferenciado porque eram constituintes de uma classe média paulista, paulistana, até mesmo branca, eram “boa praça”, gente “recomendável” e tal. Não duvido que muitos desses nossos colegas, que vivemos tão próximos durante um pouco mais de um ano, eram da companhia, eram e são gente até muito boa, com caráter e com dignidade, mas era realmente um tratamento diferenciado, franco e explícito, ainda que, teoricamente, estávamos num exército que afirmava, e ainda afirma que equalizava os desmazelos da sociedade, dando chances para que todos os sorteados, em sorteio militar, pudessem exercer a cidadania ativa no serviço militar obrigatório. Diferente, sobretudo de nossos camaradas que, muitas vezes, e isso eu vi de perto, eram tratados como peões, brutos, estúpidos, “recrutas do inferno”, “arrombados”, entre outras alcunhas desabonadoras e explicitadoras do apartheid social que vivemos até hoje...

Vista do P5
Guarita que ficava sobre a cantina.
Também me recordo de um simpático soldado EV de uma outra companhia que era rico, ou pelo menos tinha a fama. Sempre ia bem acompanhado à cantina do inesquecível Sub-Novaes, nosso “pai espiritual e culinário”. Às vezes vinha com uma moto que, acredito, era bem cara. Daquelas que eram usadas em corrida, e a gente só encontrava em exposição, ou roncando pelas avenidas de São Paulo. Era só o nosso colega busca-la no estacionamento, e aparecia até oficial “babando no ovo dele”! Sabe como é, né? Gente branca, legal, bem motorizada, bem situada... esse soldado é exceção na tropa de brutos e inúteis que precisam se ocupar!

Para terminar: um dia indaguei, respeitosamente, um comandante de companhia. Só tínhamos, na CCSv, o plantão de Hall, portanto três soldados, um cabo e um sargento eram escalados para o serviço, mas quem realmente “puxava hora” no hall eram os soldados, armados de cassetetes de madeira, que tinham como obrigação atender os telefonemas no orelhão da companhia (isso dá uma interessante história sobre as taras humanas), zelar para que ninguém quebrasse a companhia, batesse punheta nos alojamentos e que, sobretudo, na manhã do dia seguinte, acordasse oficiais e sargentos seguindo a risca um tal de “acordômetro”, inventado na era pré-despertadores de corda e digitais, e ainda utilizado no exército por oficiais que mais pareciam oficiais de um exército do Antigo Regime. A partir daquela semana esse comandante tinha determinado que teríamos, também, um plantão com três soldados que ficariam acordados, em seus turnos, no banheiro recém inaugurado. Essa situação pioraria a nossa vidinha, já que dobraríamos na escala, isto é, se tirávamos um serviço a cada cinco dias na escala preta, tiraríamos dois no mesmo tempo, já que dobraria o número de soldados necessários para o serviço que de três soldados para ser executado, passaria a se utilizar de mais três, portanto seis soldados... Perguntei se o plantão de hall não daria conta do banheiro, e apontei o problema da dupla escala de serviço, na companhia. O comandante não pensou duas vezes, após a indagação, e afirmou algo tão corriqueiro e em tom natural: “soldado sem fazer nada é uma merda, é mente do diabo”. “Vocês precisam ser ocupados senão fazem merda”, “ainda quero criar uma terceira escala, raciocinem!”. Desta terceira escala, veio o tal e bizarro “sorveteiro de dia”, mas era uma escala de mentira, afinal, o seu executor já era algum recruta que estava tirando serviço no hall, ou no banheiro. Dali em diante, eu, por exemplo, fiquei numerosas vezes velando por merdas flutuantes, inteiras ou decompostas, e mijos diluídos, naquelas madrugadas que só quem passou, sabe o que estou dizendo...

No fundo, o oficial só explicitou um pensamento comum, amalgamado nessa nossa alma canalha, mas, ao mesmo tempo cordial, afinal, não existe cidadão nem ali, nem aqui... não é mesmo?



SD Moraes Gomes